A RELIGIÃO POR UMA CRIANÇA

Começo este texto, com a intenção de tentar explicar brevemente o motivo pelo qual senti a necessidade incomensurável de escrevê-lo. A princípio, posso resumir como sendo o meu principal motivo de tamanha necessidade a seguinte afirmação: o conhecimento me tomou as rédeas da consciência. Não aquele que aprendemos na escola, com todas suas vertentes desnecessárias e cansativas, mas o conhecimento legítimo, ou seja, o saber pelo qual buscamos de bom grado, não aquele que nos é imposto.

Após assistir a um telejornal, com notícias em sua grande maioria contendo apresentação de inúmeros casos de guerras, com extrema violência, ódio e essencialmente irracionalidade, me vi extremamente incomodado com alguma coisa, mas ainda não conseguia distinguir o que me atormentava.

Pus-me então a pensar e pensar, incansavelmente, até que em um determinado momento consegui estabelecer de forma clara o que tanto me entristecia. A partir daquele instante ficou tão claro que pude resumir em uma palavra: irracionalidade.

Comecei então a dissecar a palavra obtendo inúmeras variáveis que essencialmente compunham o problema em seu cerne. As variáveis eram muitas: intolerância, poder, religião, política, egocentrismo, narcisismo, soberba e escassez de diálogo.

Com isso, fui tomado por uma vontade extremamente grande de, se não resolver, ao menos deixar claro para mim, que estava tão perdido em meio à tamanha confusão, quais eram os reais motivos para tudo o que estava acontecendo. Decidi traçar um plano de estudos, onde colocaria os assuntos em ordem de importância. Acho que motivado pelas cenas de ataque ao Charlie Hebdo, sangrentos massacres jihadistas e as contínuas lutas no território Palestina-Israel, que assisti no telejornal, optei pelo tema Religião.

Após inúmeras leituras e reflexões sobre o referido tema, fui tomado de surpresa pelo fato de ter encontrado a resposta não em minha fase já supostamente amadurecida intelectualmente e sim em minha memorável infância. Foi de lá que resgatei inúmeras perguntas que a meu ver, até o presente momento, pareciam tolas.

Uma pergunta em especial, feita por mim a mim mesmo, aos quatorze anos de idade foi a seguinte: se meu Deus, ou seja, o Deus onipresente, onisciente e onipotente do Cristianismo é a única entidade realmente válida para explicar o homem e o mundo, estaria mais de cinquenta por cento da população mundial completamente errada? Budistas, hinduístas, animistas em geral não possuiriam nenhuma verdade? As outras ramificações do Islamismo e Judaísmo apresentariam a mesma carência de verdades absolutas em suas teorias que pretendem explicar o valor de seus respectivos deuses?

Desde então, outra pergunta me incomodou: por que levei tanto tempo para perceber o tamanho do problema, ou seja, como foi que não enxerguei como o Ocidente carecia de tolerância e respeito com o Oriente e assim reciprocamente? Mas, após uma tentativa de interpretação impessoal da sociedade em que nasci e cresci se é que isso seja efetivamente possível, pude responder com facilidade a esta pergunta. Percebi que o homem em todo o decorrer de sua história fez uso de sua extrema arrogância e egocentrismo para julgar de forma incessante e impensada todas as culturas que divergissem das suas, em uma tentativa de subjugar e impor o que achava estar correto aos outros com ideias opostas.

Felizmente tomei consciência, e faço desta passagem o foco principal de meu texto, de o quanto nossa visão de mundo, ou seja, nossa racionalidade tão exaltada por todos foi esculpida por nós ao longo dos séculos para que se fosse possível compreender apenas nosso microcosmo. Assim, aquele que opta por tentar desenvolver uma visão mais abrangente de nossa existência possibilita à sua vida extrema dificuldade e até mesmo perigo, por estar cercado de pessoas prontas para julgá-lo como insano, lunático e desagradável, por ser dotado de uma visão macrocósmica, ou seja, aquela onde vamos além do nosso próprio umbigo.

Faço desta publicação um pedido àqueles que ainda possuem um mínimo de senso crítico e que por isso conseguem enxergar a gravidade do problema que temos enfrentado atualmente. Gostaria que passassem, retransmitissem a mensagem que meu texto carrega: desenvolvam mais a capacidade de tolerar, repudiem a capacidade de apontar e julgar. Desenvolvam mais a capacidade de justiça e neguem a desigualdade em todas suas vertentes. Saibam desenvolver em si mesmo a paixão pelo conhecimento, pois acreditem, este é o único caminho pelo qual conseguimos atingir a capacidade de agir com respeito.

Apenas conhecendo, tomando consciência de todas as culturas poderemos entender os motivos pelos quais as pessoas fazem o que fazem e consequentemente porque fazemos o que fazemos e por que agimos com repúdio a tudo o que diverge do que nos foi ensinado pela sociedade na qual nascemos.

Se desejamos realmente um mundo melhor precisamos entender que ele é feito de pessoas e que cada uma delas, com suas diferenças, deve receber com bons olhos todas as manifestações culturais, religiosas e políticas que diferem das suas, pois assim estará recebendo o próprio mundo, e somente assim, possuindo-o através do conhecimento e aceitando-o, não o negando, é que poderão efetivamente transformá-lo.

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